A supervisão se impõe quando a direção de uma análise passa a interrogar o próprio analista. Se é ele quem dirige o tratamento, é também ele quem se vê convocado a responder por essa direção. Não se trata de acumular saberes nem de recorrer a garantias, mas de sustentar uma posição.

Para além de uma biblioteca de conceitos e elaborações, a supervisão convoca o analista a colocar em jogo o modo como tem lido o caso, como tem escutado e sustentado a condução do tratamento.

Lacan foi preciso ao indicar que a castração não deve ser tomada como um sentido a mais, uma fala ouvida sobre a falta. Do mesmo modo, na supervisão, não se trata de acrescentar explicações ao caso, mas de interrogar a posição a partir da qual o analista opera diante do impossível que a experiência clínica apresenta.

É também na supervisão que os tempos lógicos da experiência analítica podem ser recolocados em questão. O tempo de ver, o tempo de compreender e o tempo de concluir não aparecem como etapas a serem aplicadas, mas como operadores de leitura do caso e da posição do analista, permitindo discernir onde algo se precipitou, onde algo se deteve e onde uma decisão se sustentou como ato.

A supervisão se mantém, assim, como um lugar em que a prática pode ser retomada, relida e articulada, não para obter garantias, mas para sustentar a responsabilidade do ato analítico.

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